Reivindicação de docentes da rede estadual de SP é que Alckmin desista de alterar contratos de servidores temporários
Professores do Estado entram em greve na 2ª
Jornal "Folha de São Paulo", 22/10/2005 – Caderno Cotidiano
Os professores da rede estadual paulista decidiram ontem entrar em greve a partir da próxima segunda-feira. A principal reivindicação é que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) desista de alterar os contratos dos professores e dos servidores temporários.
O governo enviou no começo deste mês uma proposta para a Assembléia Legislativa que previa que esses trabalhadores fossem contratados por seis meses, com a possibilidade de renovação por mais seis meses. Após esse período, o servidor teria de ficar dois anos fora da rede.
Atualmente, os funcionários com esses contratos podem trabalhar por tempo indeterminado, desde que haja aulas disponíveis. A Apeoesp (sindicato dos professores) avaliou que a medida poderia causar a demissão de 120 mil docentes -número de trabalhadores com esse tipo de contrato. A rede possui cerca de 230 mil professores. Alckmin recuou e retirou a proposta para estudá-la.
A paralisação dos docentes ocorrerá para exigir que o governo desista definitivamente do projeto. "Eles querem negociar, mas nesse caso não há o que negociar", disse o presidente da Apeoesp, Carlos Ramiro. "Esse pessoal não pode ir para a rua."
Outra reivindicação é a efetivação dos professores aprovados nos concursos de 2003 e deste ano que ainda não foram chamados.
A greve foi aprovada ontem em assembléia realizada no vão livre do Masp, na avenida Paulista. Segundo a Polícia Militar, 3.000 pessoas participaram do ato; a Apeoesp contabilizou 20 mil.
Durante a manifestação, houve confusão entre os próprios professores, devido à possibilidade de o sindicato comprar uma casa para hospedar membros da entidade que precisem passar algum tempo na capital. Os docentes trocaram empurrões e disputaram o microfone do carro de som.
Depois da votação na Paulista, os manifestantes seguiram em passeata até a praça da República, onde fica a Secretaria da Educação. O deslocamento gerou congestionamento na região central.
Uma nova assembléia está marcada para a próxima quinta-feira, quando será decidido se a greve irá prosseguir.
Outro lado
Por meio de nota, a secretaria da Educação considerou a greve "precipitada", pois há negociação entre técnicos da pasta e representantes dos professores para decidir o assunto.
O secretário Gabriel Chalita se comprometeu a apresentar uma nova proposta apenas depois de ouvir as sugestões dos docentes.
A nota afirma ainda que a Secretaria da Educação, "brevemente", fará a efetivação de 19 mil professores aprovados no concurso realizado em 2003. O texto cita também que foram aprovados 67 mil professores em um exame aplicado neste ano, mas não informa quando eles serão chamados. (FÁBIO TAKAHASHI)